Sobre estrutura organizacional e modelo de hierarquia

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Há alguns dias, fui questionada sobre qual seria a estrutura organizacional ideal para uma empresa. Essa é uma pergunta recorrente, fruto de dúvidas sobre o modelo hierárquico “correto”. Acredito ser importante, portanto, que façamos uma reflexão sobre esses conceitos.

Vamos começar com uma pequena contextualização: no final do século XIX e início do século XX, os desenvolvimentos das infraestruturas tecnológicas e de mercado criaram oportunidades para se obter economias de escala e escopo sem precedentes em vários setores. Neste contexto, a estrutura organizacional mais adequada era a chamada “funcional unitária”, ou “forma U”. Essa estrutura agrupa os recursos de acordo com sua finalidade funcional e tem um formato de hierarquia em pirâmide, o que a maior parte das pessoas chama de estrutura tradicional. Ela permitiu às empresas desenvolverem uma especialização de mão de obra que proporcionou economias de escala na fabricação, no marketing e na distribuição. As empresas que foram pioneiras em desenvolver hierarquias gerenciais e produzir em larga escala expandiram-se rapidamente e muitas vezes dominaram seus setores.

Sob esses parâmetros e condições, o mundo viu grandes corporações multinacionais surgirem, o que acabou por conceder a este formato de gestão uma chancela de vencedor. Não há dúvidas sobre o sucesso alcançado, porém, desde então, o mundo do trabalho, as relações econômicas, as interações sociais e o desenvolvimento tecnológico vêm sofrendo modificações que também exigem reformulações estratégicas das empresas e, por consequência, mudanças em suas estruturas organizacionais. A quantidade, complexidade e velocidade do processamento de informações que uma empresa deve empreender para tomar decisões hoje são muito maiores do que as experimentadas tempos atrás. Essa necessidade de processar mais informações e/ou agir mais rapidamente faz com que as rotinas organizacionais existentes sejam levadas ao limite, e este é o sinal para a mudança.

Entretanto, é preciso sempre lembrar que este sinal pode não chegar da mesma forma para todos, e que as respostas adequadas são diferentes. Sendo assim, a melhor estrutura organizacional para determinada empresa depende das circunstâncias específicas que ela enfrenta, não existe a “melhor” estrutura organizacional para todas as empresas em todas as circunstâncias. O importante é entender quais são os objetivos estratégicos da organização, pois desta definição derivarão as decisões acerca da estrutura ideal. Em alguns casos, em vez de alterar sua estrutura organizacional formal, uma empresa pode responder às demandas de processamento de informações mais complexos e mais rápidos fazendo outras mudanças estruturais. Criar equipes multifunção e/ou incorporar posições ou equipes que permeiam toda a estrutura (comitês) são exemplos de atitudes que melhoram o fluxo de informações que transitam pela organização, criando uma dimensão paralela à estrutura organizacional.

Sabe-se que a força da autoridade hierárquica varia muito entre as empresas, algumas parecem um grupo de trabalhadores independentes, e outras, no extremo oposto, podem lembrar bem de perto modelos militares clássicos de hierarquia de comando. Embora não seja possível afirmar o que é certo ou errado, pois isto depende da estratégia adotada pela empresa, há algumas afirmações que podem ser feitas:

  1. Há uma clara incompatibilidade entre obediência/resignação e inovação, portanto, quanto mais próxima sua empresa estiver do modelo de hierarquia por comando, mais difíceis serão as iniciativas de inovação;
  2. Se a estratégia de uma empresa é para ser levada a efeito, ou implementada, os indivíduos que trabalham na empresa devem saber sobre ela, então, seja qual for a estrutura organizacional, sempre que houver dificuldade no fluxo de informações, haverá entraves à implantação de suas estratégias;
  3. A estrutura de uma empresa reflete as maneiras pelas quais ela resolve problemas, sua capacidade de reagir às demandas de mercado e, portanto, de gerar resultados superiores e duradouros.

Por isso, vale a pena abrir mão de conceitos antigos e entender se o modelo estrutural da sua empresa será capaz de suportar os objetivos estratégicos e proporcionar a longevidade que todos desejamos às nossas organizações.

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Ivana Bernardes
ivana@vocatto.com.br